Espécies

Espécies nativas

património natural inestimável em perigo

Os peixes estritamente de água doce que ocorrem em Portugal pertencem maioritariamente à família Cyprinidae,

 

Das 21 espécies de ciprinídeos nativos, 7 são endémicos do nosso país: ruivaco (Achondrostoma oligolepis), ruivaco-do-Oeste (Achondrostoma occidentale), boga-portuguesa (Iberochondrostoma lusitanicum), boga-de-Lisboa (Iberochondrostoma olisiponensis), boga-do-Sudoeste (Iberochondrostoma almacai), escalo-do-Mira (Squalius torgalensis) e escalo-do-Arade (Squalius aradensis).

 

A conservação dos peixes de água doce nativos de Portugal está seriamente ameaçada por múltiplos fatores que, não raramente, têm um efeito simultâneo e cumulativo nos cursos de água: poluição, destruição de habitats, escassez de água, proliferação de espécies exóticas, e perda de conectividade por construção de barreiras intransponíveis (barragens e açudes).

Algumas espécies de peixes ciprinídeos endémicos de Portugal. Em cima: Achondrostoma occidentale, Achondrostoma oligolepis, Iberochondrostoma lemmingii; em baixo: Pseudochondrostoma polylepis, Squalius pyrenaicus, Luciobarbus bocagei

Ciprinídeos endémicos que ocorrem na Região Oeste e respetivo estatuto de conservação:

 

Ruivaco (vulnerável)

Achondrostoma oligolepis

 

Ruivaco-do-Oeste (em perigo)

Achondrostoma occidentale

 

Barbo-comum (pouco preocupante)

Luciobarbus bocagei

 

Escalo-do-norte (pouco preocupante)

Squalius carolitertii

 

Escalo-do-sul (em perigo)

Squalius pyrenaicus

 

Boga-portuguesa (criticamente em perigo)

Iberochondrostoma lusitanicum

 

Boga-de-boca-reta (pouco preocupante)

Pseudochondrostoma polylepis

 

[disponível em breve]

Como preservar estas espécies?

REABILITAR

 

A reabilitação dos habitats fluviais é fundamental para a conservação da ictiofauna nativa.

 

Restaurar a galeria ripícola com espécies de árvores autóctones, assegurar a boa qualidade da água, promover limpezas menos lesivas das linhas de água, preservar as plantas aquáticas e estabilizar margens com técnicas de engenharia natural são alguns exemplos de boas práticas que é urgente implementar.

REPOVOAR

 

O Projeto de Conservação Ex-situ de Organismos Fluviais (coordenado pelo ISPA, Quercus, e Aquário Vasco da Gama) está em curso desde 2008 e foi responsável pelo repovoamento de 11 populações ameaçadas com mais de 19.000 peixes criados em cativeiro.

 

Estes repovoamentos são feitos com descendentes de peixes capturados nas populações-alvo, preservando assim a sua integridade genética.

SENSIBILIZAR

 

O investimento na promoção da literacia ambiental relacionada com a preservação dos ecossistemas fluviais e da Biodiversidade a eles associada é essencial.

 

Alterar a forma como interagimos com os rios e as más práticas associadas à exploração dos serviços que providenciam é fundamental para a sua preservação e trará seguramente mais valias para a saúde e economia das populações.

Foto: Joerg Freyhof

Conservação do Ruivaco-do-Oeste

(Achondrostoma occidentale)

A situação de seca extrema verificada em 2005-2006, logo após ter sido descrito como uma nova espécie para a ciência, motivou o acionar de mecanismos de salvaguarda deste peixe, cuja distribuição está restrita a três cursos de água da região Oeste: Sizandro, Alcabrichel e Safarujo.

 

Desde então, as populações de Ruivaco-do-Oeste têm sido reforçadas no âmbito do Projeto de Conservação Ex-situ, multiplicaram-se os esforços para reabilitar os seus habitats e foram realizadas inúmeras ações de formação e sensibilização centradas na sua preservação.

No final de 2017, o fundo de Conservação "The Mohamed bin Zayed Species Conservation Fund" reconheceu a necessidade de preservação desta espécie, contemplando financiamento para a monitorização das suas populações, educação ambiental e reabilitação de refúgios estivais para maximizar as hipóteses de sobrevivência da espécie em época seca.

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